uma das primeiras memórias que tenho de mim na cozinha é cortando um tomate e um pedaço do meu dedão junto. eu tinha nove anos. por mais traumática que possa parecer essa experiência, pra mim traz uma ~ quase ~ aura de iniciação culinária; parece que ali, naquele momento, eu tinha a primeira grande prova pra cozinhar como *gente grande*.
na minha casa, sempre foi meu pai que cozinhou. minha mãe nunca gostou e até hoje não sabe cozinhar um ovo (é verdade!); sempre me lembro dela contando do arroz que virava papa a cada tentativa frustrada. em compensação, meu pai adorava e levava toda a família pra cozinha nos finais de semana. era uma festa! música na vitrola, cerveja nos copos dos adultos, crianças pra lá e pra cá e eu ali, sempre disposta a ser a sous chef do meu pai, ajudando-o a preparar todas as delícias que ele inventava.
cresci aprendendo a me virar na cozinha, mas nunca me arriscava muito. quando decidi parar de comer carne - vermelha, a princípio, por saúde, e todas as demais por ética - e saí da casa dos meus pais, me vi tendo que inventar pratos saborosos e diferentes todos os dias. além disso, meu marido é intolerante à lactose, então tudo tinha que ser vegano - graças à deusa, pois me aproximou muito do veganismo e me ajuda fortemente na minha transição (sim, ainda estou em transição, apesar de já ter cortado 99% de derivados na minha alimentação, mas também ainda em busca de uma vida mais "vegana", sem produtos de origem animal o máximo possível).
voltando à culinária… eu AMO comer, então pra mim, as comidas têm que ser saborosas. no início, buscava muitas receitas - e minha grande inspiração é o blog Papacapim, da Sandra Guimarães -, apesar de nunca fazer igual, sempre acrescentava meus toques e temperos, adicionava ou tirava ingredientes de acordo com meus gostos. mas o mais legal de tudo foi abrir meu paladar pra conhecer novos sabores, aromas e texturas, novas combinações e receitas próprias, tiradas todinhas da minha cabeça - e do que tinha em casa! e, melhor, com a consciência mais tranquila por estar comendo bem sem precisar do sacrifício de nenhum animal. <3
enfim, o fato é que, quatro anos atrás, quando parei de comer carne vermelha, nunca imaginei que iria conhecer tantas comidas incríveis, apurar tanto meu paladar, criar tantas combinações de vegetais e nunca, nunquinha!, imaginava fazer um bolo sem receita, todo da minha cabeça. e pra quem diz que bolo vegano não deve ser bom ("porque não pode prestar um bolo sem ovo e leite"), só digo uma coisa: você não sabe as experiências maravilhosas que você está perdendo, meu amigo!
dito isso, a primeira receita deste despretensioso blog vai ser de bolo de cacau, o mais fofinho, chocolatudo e delicioso da vida. pelo menos da minha. até o próximo post! =)
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| Foto: Natália Rocha para Agrião&Canela |

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